Artigos 21 de janeiro de 2026 Chris 0 comentários

The Sims 4: A Galinha dos Ovos de Ouro da Ganância da EA

Comparar Preços

The Sims™ 4

Poucos jogos conseguiram permanecer relevantes por tanto tempo quanto The Sims. A franquia atravessou gerações, moldou um gênero próprio e criou uma comunidade que segue ativa há mais de duas décadas. No entanto, sob a gestão da Electronic Arts (EA), o que antes era inovação passou a se confundir com acomodação — e, para muitos jogadores, com ganância.

Este artigo apresenta uma análise crítica e autoral sobre como The Sims 4 se tornou o maior exemplo da estratégia predatória de monetização da EA, sustentado por uma base fiel e por um modelo de negócios que privilegia volume, não profundidade.


A reputação da EA e o histórico de decisões controversas

A Electronic Arts construiu, ao longo dos anos, uma reputação difícil de ignorar. A empresa figura com frequência entre as mais criticadas da indústria, especialmente pelo uso agressivo de microtransações e pela descaracterização de franquias consagradas.

EA Games

Casos como SimCity (2013), o enfraquecimento criativo de Mass Effect após a trilogia original e as mudanças estruturais em Dragon Age são exemplos recorrentes citados pela comunidade. Em análises de mercado publicadas por portais como o Canaltech e veículos esportivos do Grupo Globo, a própria EA já reconheceu que a maior parte de sua receita anual vem de serviços recorrentes e microtransações.

Nesse cenário, The Sims não é apenas um sucesso comercial. É, para a EA, um ativo estratégico de longo prazo.


O nascimento de uma obra-prima

Quando The Sims foi lançado em 2000, o impacto foi imediato. O jogo apresentou uma proposta inédita: controlar vidas virtuais em tempo real, com liberdade criativa e foco em narrativa emergente.

O resultado foi histórico. Segundo o Metacritic, o primeiro título da franquia alcançou nota 92, tornando-se um dos jogos mais bem avaliados de sua geração. A fórmula era simples, mas poderosa: cada jogador criava suas próprias histórias.

As primeiras expansões mantiveram esse padrão. Elas adicionavam sistemas completos, novas mecânicas e profundidade real ao jogo base. O modelo de DLC, naquele momento, parecia saudável.


A virada: quantidade acima de qualidade

Todas as DLCs de The Sims 4

A partir de The Sims 2, o volume de expansões cresceu de forma significativa. Ainda assim, a maioria delas justificava o preço com conteúdo denso e bem integrado.

O problema se consolidou em The Sims 4.

No lançamento, em 2014, o jogo chegou ao mercado sem piscinas, sem bebês e com sistemas sociais simplificados — recursos básicos presentes desde o primeiro título da série. A crítica foi imediata, e a EA passou anos reconstruindo, via DLC, funcionalidades que antes faziam parte do jogo base.

Essa decisão não foi casual. Ela redefiniu o modelo de negócios da franquia.


O custo real de The Sims 4

Hoje, The Sims 4 conta com dezenas de expansões, pacotes de jogo, coleções de objetos e kits. Levantamentos baseados em preços oficiais de loja e no número total de pacotes indicam que o custo para adquirir todo o conteúdo ultrapassa facilmente os R$ 6.000.

Esse valor equivale a:

  • Um console de nova geração
  • Um PC gamer intermediário
  • Ou vários jogos AAA completos

Embora o jogo completo seja, de fato, rico em possibilidades, a fragmentação extrema do conteúdo cria uma barreira econômica difícil de justificar.


Criaturas sobrenaturais e o problema da superficialidade

Outro ponto recorrente de crítica é a forma como o jogo trata sistemas especiais, especialmente criaturas sobrenaturais.

Vampiros, lobisomens, sereias e outros arquétipos seguem um padrão semelhante:

  • Mudanças visuais discretas
  • Árvores de habilidades limitadas
  • Pouco impacto estrutural no gameplay principal

Na prática, as diferenças são cosméticas. A experiência raramente altera de forma significativa a narrativa ou os sistemas centrais. Isso reforça a sensação de conteúdo reciclado, vendido como novidade.


O verdadeiro motor de The Sims

Apesar de tudo, The Sims continua extremamente popular. E há uma razão clara para isso.

O jogo funciona como um gerador de histórias. Assim como títulos como RimWorld e Project Zomboid, sua força está na narrativa emergente, criada pelo próprio jogador.

Mas há um detalhe crucial: grande parte da profundidade moderna de The Sims não vem da EA.

Ela vem da comunidade.

Mods, sistemas paralelos, melhorias gráficas, correções estruturais e expansões não oficiais sustentam o interesse de milhões de jogadores. A EA, nesse modelo, lucra com uma base que frequentemente corrige e expande aquilo que o jogo oficial entrega de forma limitada.


A grande percepção estratégica da EA talvez tenha sido esta: The Sims não precisa evoluir muito para continuar vendendo.

A base é fiel. O público se renova. O modelo de pacotes fragmentados garante receita constante. A inovação, nesse contexto, torna-se opcional.

The Sims 4 não é um jogo ruim. Longe disso. Mas ele é, com clareza, o reflexo de uma franquia transformada em produto financeiro recorrente — sustentada mais pela paixão dos jogadores do que pela ambição criativa da empresa.

E talvez esse seja o retrato mais honesto da indústria moderna de jogos.


Continue acompanhando o Cheatspire para mais artigos de opinião, análises críticas e segredos dos seus jogos favoritos.

Posts Relacionados:

Notícias Relacionadas

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *