Novidades 12 de janeiro de 2026 Chris 0 comentários

Divinity: Como a Larian Studios Voltou para Casa para Fazer seu Maior Jogo de Todos

Desde o lançamento de Baldur’s Gate 3, um fenômeno cultural que conquistou o mundo dos games, uma pergunta ecoava na comunidade: para onde a Larian Studios iria agora? A resposta, anunciada com uma apresentação teatral e um trailer sombrio no The Game Awards de 2025, foi ao mesmo tempo um retorno às origens e um salto gigantesco para o futuro. A Larian está voltando para casa, para o universo de Divinity, mas não para fazer uma sequência comum. Divinity (sim, apenas “Divinity”) é descrito pelo próprio estúdio como seu “maior jogo de todos os tempos” e “ainda maior que Baldur’s Gate 3”.

“Estamos prontos para trazer tudo o que fizemos anteriormente para um único lugar. Este é o Divinity que sempre quisemos fazer e você vai se divertir muito com ele.” – Swen Vincke, Fundador da Larian Studios

Larian Studios, desde seus humildes começos na Bélgica, passando pela evolução da complexa saga Divinity, o sucesso avassalador de Baldur’s Gate 3, até chegar nas ambições sem precedentes do novo capítulo que promete redefinir os RPGs novamente.


A Larian Studios e os Primeiros Passos

Divine Divinity

Fundada por Swen Vincke em 1996 na cidade de Ghent, na Bélgica, a Larian Studios começou sua trajetória longe dos holofotes da indústria AAA. Antes de se tornar sinônimo de RPGs profundos e complexos, o estúdio trabalhou em projetos variados, incluindo jogos educacionais e até mesmo jogos de cassino.

O primeiro grande marco veio em 2002 com Divine Divinity, um RPG de ação que misturava elementos de Diablo com a profundidade narrativa de jogos como Ultima. Apesar do nome confuso (que gerou piadas por décadas), o jogo estabeleceu o universo de Rivellon e conquistou uma base de fãs dedicada por sua riqueza de detalhes e humor peculiar. A Larian persistiu, lançando sequências como Beyond Divinity (2004) e Divinity II: Ego Draconis (2009), que introduziu a mecânica icônica de se transformar em um dragão.

Apesar do culto que se formava ao redor da série, a Larian operava sob restrições financeiras significativas. O ponto de virada, e quase o fim da empresa, veio com Divinity: Original Sin (2014).

Saga Divinity: De Cult a Fenômeno

A saga Divinity é conhecida por sua linha do tempo não linear e sua abordagem despreocupada com a continuidade canônica, o que o escritor da PC Gamer descreveu como “desconsiderar os sentimentos e a sanidade dos editores de wiki. A tabela abaixo mostra a evolução e a complexidade cronológica da série:

AnoTítuloGênero PrincipalPosição na Linha do Tempo de RivellonNota
2002Divine DivinityRPG de Ação/ Hack and SlashEventos principais da eraO jogo original que começou tudo.
2004Beyond DivinityRPG de AçãoSequência direta de Divine DivinityExpandiu o universo com uma narrativa ligada ao primeiro jogo.
2009Divinity II: Ego DraconisRPG de AçãoSéculos depois de Divine DivinityIntroduziu a transformação em dragão e uma nova perspectiva.
2013Divinity: Dragon CommanderEstratégia/ RPGAntes dos eventos de Divine DivinityUma mistura única de estratégia em tempo real, RPG e até mesmo um jogo de cartas.
2014Divinity: Original SinRPG por TurnosMilhares de anos antes de Divine DivinityReinventou a série e a Larian. Sucesso crítico e de vendas via Kickstarter.
2017Divinity: Original Sin IIRPG por TurnosEntre Divine Divinity e Divinity IIConsiderado um dos melhores RPGs de todos os tempos. Nota 93 no Metacritic.

Foi com Divinity: Original Sin que a Larian encontrou sua verdadeira vocação e quase faliu no processo. O estúdio apostou tudo no projeto, atrasando impostos e desviando recursos de outros jogos, arrecadando fundos através de uma campanha no Kickstarter. O risco valeu a pena: o foco no combate tático por turnos, na interação sistemática com o mundo (como combinar elementos) e no cooperativo robusto foi aclamado pela crítica. Mais importante, deu à Larian a independência financeira e a confiança para sonhar maior.

Essa ambição culminou em Divinity: Original Sin II (2017), um jogo que elevou todos os aspectos do predecessor a um patamar lendário. Com uma história profundamente pessoal, um sistema de “magia de origem” único e uma liberdade de escolha raramente vista, o jogo consolidou a Larian como um dos maiores estúdios de RPG do mundo, ganhando mais de 160 prêmios.

Baldur’s Gate 3: O Fenômeno que Mudou Tudo

O sucesso de Original Sin II chamou a atenção da Wizards of the Coast, detentora dos direitos de Dungeons & Dragons. A Larian foi incumbida de reviver uma das franquias mais reverenciadas dos RPGs: Baldur’s Gate.

Lançado em 2023 após três anos em acesso antecipado, Baldur’s Gate 3 não foi apenas um sucesso; foi um fenômeno cultural. O jogo vendeu mais de 20 milhões de cópias, colocando-o entre os 60 jogos mais vendidos de todos os tempos. Ele fez a rara conquista de vencer o prêmio de Jogo do Ano nas cinco principais cerimônias do setor (BAFTA, Golden Joystick, Game Developers Choice, DICE e The Game Awards), um feito histórico.

BG3 aplicou a fórmula narrativa e sistêmica da Larian ao rico universo de D&D, com um nível de produção cinematográfica, profundidade de personagens e atenção aos detalhes que cativou até jogadores que nunca tinham se interessado por RPGs por turnos. Este sucesso colossal criou uma expectativa monumental para o próximo passo da Larian.

Um Novo Começo

Após BG3, especulou-se sobre uma expansão ou até mesmo um Baldur’s Gate 4. A Larian, no entanto, seguiu seu próprio caminho. O estúdio confirmou que está trabalhando em dois novos projetos e, surpreendentemente, que não fará expansões ou sequências diretas para BG3. Em vez disso, eles decidiram voltar para sua criação original, mas não da forma que todos esperavam.

Em dezembro de 2025, a Larian anunciou seu próximo jogo: Divinity. A escolha do nome, sem subtítulos como “Original Sin 3”, é significativa. Swen Vincke descreveu este momento como o ápice de toda a jornada do estúdio: “Estamos prontos para trazer tudo o que fizemos anteriormente para um único lugar… Este é o Divinity que sempre quisemos fazer”.

O Novo Jogo: “Divinity” e o que Sabemos

As informações sobre Divinity ainda são iniciais, mas revelações de um “AMA” (Ask Me Anything) realizado pela Larian no Reddit e comunicados oficiais pintam um quadro empolgante.

  • Escopo e Ambição: É descrito publicamente como o “maior jogo de todos os tempos” da Larian e “ainda maior que Baldur’s Gate 3” em escopo. A equipe cresceu para cerca de 500 pessoas trabalhando no projeto, contra 411 no final do desenvolvimento de BG3.
  • Tom e Narrativa: O trailer de anúncio, mostrando um sacrifício ritualístico sombrio, estabeleceu um tom muito mais sombrio e de “horror folclórico” comparado aos jogos anteriores. Os diretores afirmam que é um mundo escuro onde o jogador pode ser “a luz na escuridão” ou, por escolha, “a escuridão que apaga a luz”.
  • Mecânicas e Sistemas:
    • Combate e Progressão: Terá um sistema de combate e progressão de personagem totalmente novo, que não será o de D&D nem o de Original Sin 2. A Larian revisita ideias antigas e inspirações de BG3 para criar algo “intuitivo mas profundo”.
    • Novas Interações: Um designer citou que finalmente poderá adicionar uma mecânica que faltava nos jogos anteriores—especula-se amplamente que seja a capacidade de nadar.
    • Saque e Itens: O sistema de saque abandonará a geração aleatória de Original Sin e seguirá o modelo de BG3, com itens artesanais e únicos.
    • Cooperativo e Mods: O jogo terá cooperativo no lançamento e suporte oficial a mods, com ferramentas que permitirão à comunidade aumentar até mesmo o número de jogadores em uma sessão.
  • Conexão com a Saga: A Larian afirma que é um “história autônoma” na mesma continuidade de Rivellon. Fãs antigos encontrarão conexões e personagens familiares, mas novos jogadores não precisarão de conhecimento prévio para aproveitar. O diretor de arte também prometeu que a customização de personagens será “ainda melhor” que a de BG3.

Um ponto de grande debate foi esclarecido: após polêmica inicial, a Larian confirmou que não usará IA generativa para criar arte conceitual final do jogo, garantindo que toda a arte será de origem humana.

O Que Esperar do Próximo Capítulo da Larian

Divinity representa a convergência de quase três décadas de experiência da Larian Studios. É o momento em que o estúdio, armado com o sucesso financeiro e a expertise técnica de Baldur’s Gate 3, volta ao universo que criou para executar sua visão em uma escala que antes era impossível.

Os fãs podem esperar:

  1. A Profundidade Sistêmica de Divinity: A interação química entre elementos, a física divertida e a liberdade de resolver problemas de múltiplas formas, marca registrada da série.
  2. A Profundidade Narrativa de BG3: A produção cinematográfica, as histórias complexas dos companheiros e a agência narrativa que fazem cada escolha parecer significativa. A Larian já adiantou que quer aprofundar ainda mais as relações entre os membros do grupo.
  3. Um Mundo Mais Maduro e Sombrío: Um afastamento do tom mais descontraído e heroico para explorar temas mais complexos e um ambiente de horror folclórico.
  4. Um RPG Sem Compromissos: Livre das licenças externas de D&D, a Larian tem liberdade total para inovar em seu sistema de regras, progressão e mundo, potencialmente criando um novo padrão para RPGs digitais.

A jornada da Larian Studios, da pequena equipe belga que quase faliu para a premiada gigante dos RPGs, é uma das histórias mais inspiradoras da indústria dos games. Com Divinity, eles não estão apenas fazendo um novo jogo; estão construindo o seu magnum opus, a soma de tudo o que aprenderam. O mundo de Rivellon está prestes a ser reaberto, não como uma nostalgia do passado, mas como a frente de uma nova era para os RPGs.

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