Hoje completam-se 23 anos do lançamento de SimCity 4, um jogo que continua sendo considerado por muitos fãs como o ápice da série de construção de cidades. Mas e se dissermos que este clássico, junto com seu controverso sucessor de 2013, guardava planos para uma segunda expansão que poderia ter mudado tudo? Em uma entrevista exclusiva com um ex-funcionário da lendária Maxis, o portal Alala Sims revelou os detalhes dessa história secreta do desenvolvimento.
A franquia SimCity é a pedra fundamental dos jogos de simulação. SimCity 4, lançado em 2003, foi um marco de complexidade e profundidade. Sua jogabilidade rica, integração com The Sims e a expansão Rush Hour o tornaram um título adorado e cultuado.

Já o SimCity de 2013 nasceu em uma era diferente. A EA e a Maxis apostaram em uma reinvenção radical, focada em multiplayer online obrigatório, mapas de cidade menores e simulações interconectadas. A promessa era inovadora, mas o lançamento foi marcado por caos nos servidores, instabilidade e limitações que frustraram profundamente a base de fãs acostumada à liberdade dos títulos anteriores.
Ambos os jogos, em seus respectivos contextos, tinham potencial inexplorado que os desenvolvedores queriam explorar. Para o SimCity 4, que já havia lançado a aclamada expansão Rush Hour (com trânsito, desastres e novos veículos), a ideia era levar a simulação ambiental a um novo patamar. Para o SimCity (2013), que já tinha a expansão Cities of Tomorrow, a meta era expandir os horizontes do jogo para além do futurismo, trazendo elementos mais orgânicos e turísticos.
O que exatamente foi cancelado?
Os planos eram ambiciosos, mas nunca saíram do papel. O ex-funcionário da Maxis revelou os conceitos:
- Para SimCity 4: A segunda expansão adicionaria sistemas de clima dinâmico e água na superfície. Os jogadores poderiam construir lagos, rios e até represas, adicionando uma nova camada de estratégia no planejamento urbano e no gerenciamento de recursos.
- Para SimCity (2013): A expansão cancelada seria focada em praias e turismo litorâneo. O objetivo era permitir que os prefeitos virtuais desenvolvessem orlas marítimas, com resorts, complexos turísticos e novas mecânicas econômicas baseadas no lazer. Curiosamente, essa temática só viria a aparecer mais tarde na versão mobile da franquia.
Segundo a revelação, SimCity 4 vendeu menos de 1 milhão de cópias na época. Apesar de seu status de culto hoje, esse número não foi considerado suficiente pela EA para justificar o investimento em uma nova expansão grande, limitando o jogo a apenas Rush Hour.
O SimCity (2013), por sua vez, teve um lançamento considerado um desastre. Os problemas técnicos severos e a reação negativa dos fãs ao design online obrigatório resultaram em vendas muito abaixo das expectativas da publicadora. Com a receita em baixa, a expansão de praias foi uma das primeiras vítimas dos cortes, e o fracasso comercial acabou levando, pouco depois, ao fechamento do estúdio Maxis de Emeryville em 2015, um fim trágico para o lendário criador da série.

Não há uma “solução” no sentido tradicional, mas sim um legado de “e se?”. A comunidade de fãs, especialmente a de SimCity 4, encontrou seu próprio caminho. Através de milhares de mods criados por jogadores, muitos dos conceitos da expansão cancelada – como gestão de água mais complexa, novos desastres e elementos visuais – foram, de certa forma, realizados.
Para o SimCity (2013), a solução foi menos orgânica. Os servidores do jogo ainda estão ativos e há uma base de jogadores dedicada, mas o título nunca recebeu novas atualizações ou conteúdo oficial significativo após o cancelamento. O vácuo deixado pela franquia no mercado AAA foi, ironicamente, o que abriu espaço para o surgimento e o sucesso estrondoso de concorrentes como Cities: Skylines.
A revelação sobre essas expansões fantasmas é mais do que uma curiosidade; é um olhar raro sobre os caminhos que a indústria do videogame não tomou. Ela mostra como o sucesso comercial imediato muitas vezes dita o destino de ideias criativas ambiciosas. Enquanto a EA considera a franquia “difícil de monetizar”, cabe aos fãs manter viva a chama, construindo não apenas cidades dentro do jogo, mas também o legado de uma das séries mais influentes de todos os tempos.
Veja todos os códigos da Saga SimCity.
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